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25 de Feb de 2026 • 10 min de leitura

Casos de sífilis disparam na Argentina e Bahía Blanca registra aumento expressivo

Casos de sífilis disparam na Argentina e Bahía Blanca registra aumento expressivo

As autoridades de saúde da Argentina emitiram novo alerta após a confirmação de um crescimento contínuo nos diagnósticos de sífilis em todo o país. O ano de 2025 encerrou com o maior número de casos dos últimos cinco anos, cenário que também se reflete na cidade de Bahía Blanca, onde os dados locais indicam uma elevação significativa em comparação com 2020.

De acordo com o Boletim Epidemiológico Nacional, foram confirmados 55.183 casos de sífilis na Argentina em 2025. Embora algumas publicações mencionem números ligeiramente menores — cerca de 46 mil diagnósticos confirmados dentro de um universo maior de notificações — as autoridades explicam que as diferenças decorrem de processos regulares de validação de dados. Independentemente da variação, a tendência geral aponta para um avanço consistente da doença.

Impacto regional no sudoeste da Província de Buenos Aires

Em Bahía Blanca, localizada no sudoeste da Província de Buenos Aires, estatísticas da Região Sanitária I mostram que 699 casos foram registrados em 2025. O número representa um aumento aproximado de 677% em relação a 2020, quando haviam sido notificados 90 casos. Em comparação com 2024, contudo, os registros permaneceram relativamente estáveis, sugerindo a consolidação de um patamar elevado de transmissão.

A Região Sanitária I abrange diversos municípios, como Adolfo Alsina, Coronel Rosales, Coronel Suárez, Tres Arroyos, Monte Hermoso, Villarino e Patagones, ampliando a dimensão territorial do desafio sanitário.

Especialistas regionais destacam que a sífilis faz parte de um crescimento mais amplo das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), incluindo HIV, gonorreia e herpes. Também alertam para a possibilidade de subnotificação, sobretudo em diagnósticos realizados na rede privada.

Jovens adultos concentram maior número de diagnósticos

O perfil epidemiológico na Argentina indica predominância de casos entre pessoas de 25 a 35 anos, embora a infecção esteja presente em todas as faixas etárias. Profissionais de saúde associam o fenômeno a fatores múltiplos, como redução do uso consistente de preservativos, desinformação disseminada nas redes sociais, barreiras econômicas ao acesso à prevenção e diminuição da percepção de risco.

Dados citados pela AIDS Healthcare Foundation apontam que apenas 17% dos jovens na Argentina utilizam preservativo em todas as relações sexuais. Além disso, houve aumento de 20,5% nos casos de sífilis em 2025 em comparação ao mesmo período de 2024, enquanto a gonorreia atingiu um pico histórico em 2023.

No que se refere ao HIV, estima-se que cerca de 140 mil pessoas vivam com o vírus no país, com aproximadamente 6.900 novos diagnósticos por ano. Estima-se ainda que 17% desconheçam sua condição, e 98% das transmissões ocorram por relações sexuais desprotegidas.

Uma infecção silenciosa e progressiva

A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum e é transmitida principalmente por contato sexual vaginal, anal ou oral na presença de lesões ativas. Também pode ser transmitida durante a gestação, provocando sífilis congênita — uma das principais preocupações de saúde pública devido aos riscos ao recém-nascido.

Um dos desafios no controle da doença é sua evolução clínica. Na fase inicial, pode surgir uma úlcera indolor, conhecida como cancro sifilítico, nos órgãos genitais, na boca ou na região anal, entre nove e noventa dias após a exposição. Como a lesão pode desaparecer espontaneamente sem tratamento, muitas pessoas acreditam, equivocadamente, que estão curadas.

Sem diagnóstico e tratamento adequados, a infecção pode evoluir para estágios secundários com erupções cutâneas, febre e aumento dos gânglios linfáticos, além de uma fase latente assintomática. Em estágios avançados, pode comprometer o sistema nervoso e cardiovascular, gerando complicações graves.

O diagnóstico é realizado por exames laboratoriais. Estão disponíveis testes rápidos, exames não treponêmicos como VDRL e RPR — utilizados também no acompanhamento — e testes treponêmicos que detectam anticorpos específicos.

Desafio sanitário e cultural

Autoridades sanitárias argentinas ressaltam que o enfrentamento da sífilis não depende apenas de ampliar o acesso aos testes — que em Bahía Blanca são oferecidos gratuitamente e sem necessidade de agendamento em hospitais públicos —, mas também de fortalecer campanhas de prevenção e educação sexual.

Embora a sífilis tenha tratamento eficaz, principalmente com penicilina como esquema de referência em diversas situações clínicas, o controle da transmissão exige diagnóstico precoce, tratamento das parcerias sexuais e retomada do uso consistente de preservativos.

Com quase 700 casos registrados apenas em Bahía Blanca em 2025 e números nacionais em ascensão, especialistas na Argentina reforçam que informação qualificada, testagem regular e práticas preventivas continuam sendo as estratégias mais eficazes para conter o avanço da infecção.