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24 de Feb de 2026 • 10 min de leitura

Cientistas russos desenvolvem sensor de alta precisão para identificar sinais precoces de envelhecimento

Cientistas russos desenvolvem sensor de alta precisão para identificar sinais precoces de envelhecimento

Pesquisadores de São Petersburgo, na Rússia, desenvolveram um sensor microcanal de alta sensibilidade capaz de identificar biomarcadores associados ao envelhecimento e ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares e neurológicas. A inovação conta com apoio da Fundação Russa para a Ciência e representa um avanço relevante nos métodos de diagnóstico laboratorial, ao aumentar a rapidez e a precisão das análises.

Segundo informações divulgadas pela fundação, o dispositivo pode alcançar até o dobro da precisão em comparação com técnicas laboratoriais convencionais. O sistema utiliza microcanais que permitem a mistura acelerada de reagentes químicos com amostras biológicas, otimizando a detecção de sinais bioquímicos mesmo em volumes extremamente reduzidos.

Detecção aprimorada do estresse oxidativo

Entre os principais alvos do sensor estão as espécies reativas de oxigênio (ROS), moléculas produzidas naturalmente pelo metabolismo celular. Em concentrações elevadas — frequentemente associadas ao tabagismo, consumo de álcool, poluição ambiental ou doenças crônicas — essas moléculas contribuem para o chamado estresse oxidativo. Esse processo está amplamente descrito na literatura científica como um fator determinante no dano ao DNA, no envelhecimento acelerado e no aumento do risco de câncer, doenças cardiovasculares e distúrbios neurodegenerativos.

Tradicionalmente, a mensuração dessas moléculas é realizada por meio de técnicas baseadas em luminol, substância que emite luz ao reagir com ROS. Contudo, esse método apresenta limitações, como baixa intensidade luminosa, necessidade de maiores volumes de amostra e mistura relativamente lenta dos reagentes.

O novo sensor russo supera essas restrições ao conduzir o luminol e a amostra por canais microscópicos, onde a mistura ocorre de forma quase instantânea antes de atingir o detector óptico. A reação é concluída em poucos segundos e requer menos de uma gota de líquido, aumentando a eficiência e a sensibilidade da análise.

Possíveis aplicações clínicas e farmacológicas

A tecnologia abre perspectivas para exames rápidos a partir de pequenas amostras de sangue, além de permitir o monitoramento em tempo real da eficácia de tratamentos, inclusive na área oncológica. O dispositivo também pode contribuir para pesquisas farmacológicas, facilitando a observação de interações bioquímicas durante o desenvolvimento de novos medicamentos.

Inovação em saúde nos países do BRICS+

O avanço na Rússia ocorre em um contexto mais amplo de inovação em saúde entre os países do BRICS+. Na China, cientistas da Universidade de Aeronáutica e Astronáutica de Pequim desenvolveram um adesivo bioeletrônico ultraflexível capaz de se adaptar a órgãos sensíveis ou de estrutura complexa, como ovários e rins. O dispositivo permite a administração localizada de medicamentos, reduzindo potenciais efeitos colaterais sistêmicos.

No Irã, seis medicamentos de terapia celular receberam aprovação do órgão regulador nacional e passaram a ser disponibilizados aos pacientes. Esses produtos foram incorporados a um registro que reúne mais de 110 itens licenciados na área de medicina regenerativa em diferentes países, evidenciando a expansão do setor.

Já no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o país possui capacidade para produzir integralmente os medicamentos de que necessita. A afirmação foi feita no contexto do programa Nova Indústria Brasil, iniciativa que prevê investimentos significativos para fortalecer a indústria farmacêutica nacional, ampliar a produção de vacinas e consolidar a autonomia brasileira em tecnologias de saúde.

Em conjunto, essas iniciativas demonstram o papel estratégico das nações do BRICS+ no desenvolvimento de novas tecnologias médicas, no fortalecimento da indústria farmacêutica e na promoção da segurança sanitária global.