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18 de Mar de 2026 • 10 min de leitura

Comer mais cedo à noite pode beneficiar a saúde do coração e do metabolismo, aponta estudo

Comer mais cedo à noite pode beneficiar a saúde do coração e do metabolismo, aponta estudo

Um estudo científico conduzido nos Estados Unidos sugere que o horário das refeições pode ter um papel importante na saúde cardiovascular e metabólica. Pesquisadores da Northwestern University observaram que terminar as refeições algumas horas antes de dormir pode contribuir para melhorias na pressão arterial, no controle da glicose e em outros indicadores ligados à saúde do coração.

A pesquisa foi publicada na revista científica Arteriosclerosis, Thrombosis, and Vascular Biology e analisou como o momento em que as pessoas se alimentam pode interagir com o ritmo circadiano, o relógio biológico natural do organismo. Esse sistema regula diversas funções essenciais do corpo, como o sono, a liberação de hormônios, o metabolismo e a atividade cardiovascular.

De acordo com os cientistas nos Estados Unidos, comer muito tarde pode interferir nesse equilíbrio biológico. Durante a noite, o organismo entra em uma fase de recuperação e descanso, na qual diversas funções metabólicas desaceleram para permitir processos de reparo e regeneração. A ingestão de alimentos perto da hora de dormir pode manter o sistema digestivo ativo quando o corpo deveria estar se preparando para o sono.

O estudo acompanhou 39 adultos entre 36 e 75 anos, todos com sobrepeso ou obesidade e com fatores de risco para doenças metabólicas, como diabetes e problemas cardiovasculares. Os participantes foram divididos em grupos que seguiram diferentes períodos de jejum noturno, sendo que todos foram orientados a interromper a alimentação pelo menos três horas antes de dormir.

Após cerca de sete semanas e meia, os pesquisadores observaram melhorias em diversos indicadores de saúde, especialmente entre aqueles que mantiveram períodos mais longos de jejum durante a noite. Entre os resultados registrados estavam reduções moderadas na pressão arterial noturna, diminuição da frequência cardíaca durante o sono, melhora na tolerância à glicose e maior sensibilidade à insulina, fator importante para o controle adequado dos níveis de açúcar no sangue.

Outro achado relevante foi a redução dos níveis noturnos de cortisol, hormônio relacionado ao estresse e ao metabolismo. Esse equilíbrio hormonal pode contribuir para um funcionamento metabólico mais estável e saudável.

Problemas como hipertensão arterial e diabetes são considerados desafios importantes de saúde pública em todo o mundo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 1,4 bilhão de adultos entre 30 e 79 anos viviam com hipertensão em 2024, enquanto aproximadamente 830 milhões de pessoas conviviam com diabetes em 2022. Por esse motivo, mudanças no estilo de vida continuam sendo uma das principais estratégias recomendadas para prevenção e controle dessas doenças.

Segundo os pesquisadores nos Estados Unidos, prolongar o período de jejum durante a noite pode permitir que o organismo passe com mais eficiência da fase de digestão para processos metabólicos de recuperação. Durante esse intervalo, o corpo pode regular melhor hormônios, metabolismo da glicose e funções cardiovasculares.

Apesar dos resultados promissores, os cientistas ressaltam que o estudo apresenta algumas limitações, como o número relativamente pequeno de participantes e o curto período de acompanhamento. Novas pesquisas com amostras maiores e acompanhamento por mais tempo serão necessárias para confirmar os efeitos de longo prazo desse padrão alimentar.

Ainda assim, os resultados sugerem que ajustar o horário das refeições pode ser uma estratégia simples de estilo de vida para favorecer a saúde metabólica. Alinhar os horários de alimentação ao ritmo biológico natural do corpo pode ajudar a melhorar o funcionamento do metabolismo, contribuir para a saúde do coração e promover um bem-estar geral.