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10 de Mar de 2026 • 10 min de leitura

Companhia de Animais de Estimação e Saúde Cardiovascular: O que as Pesquisas Indicam sobre a Relação entre Humanos e Pets

Companhia de Animais de Estimação e Saúde Cardiovascular: O que as Pesquisas Indicam sobre a Relação entre Humanos e Pets

A relação entre seres humanos e animais de estimação é frequentemente associada ao bem-estar emocional. Nos últimos anos, porém, pesquisas científicas passaram a investigar se essa convivência também pode exercer influência sobre a saúde cardiovascular. Estudos realizados em diferentes países, incluindo Estados Unidos, Austrália e Suécia, indicam que a presença de animais de estimação — especialmente cães — pode estar relacionada a determinados resultados positivos para a saúde.

Uma grande revisão científica publicada em 2019 analisou dados de diversos estudos internacionais e observou que pessoas que possuem cães apresentaram menor risco de morte por qualquer causa ao longo de um período de dez anos. De acordo com os resultados, essa redução chegou a aproximadamente 24% quando comparada a indivíduos que não conviviam com cães.

Esse conjunto crescente de evidências chamou a atenção de organizações médicas como a American Heart Association, nos Estados Unidos. Em uma declaração científica, a entidade afirmou que a presença de cães pode contribuir de forma razoável para a redução do risco de doenças cardiovasculares. Ainda assim, especialistas reforçam que a adoção de um animal não deve ser motivada exclusivamente por benefícios à saúde, já que envolve responsabilidades permanentes com o bem-estar do animal.

Aumento da atividade física

Uma das explicações mais discutidas para os possíveis benefícios está relacionada às mudanças de comportamento no dia a dia. Tutores de cães, por exemplo, costumam ter níveis mais altos de atividade física devido à necessidade de passeios e atividades ao ar livre.

Uma pesquisa conduzida pelo professor Adrian Bauman, da University of Sydney, na Austrália, analisou esse comportamento. Em uma meta-análise publicada em 2012, o estudo indicou que muitos donos de cães que caminham regularmente com seus animais conseguem atingir a recomendação de pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada.

Apesar disso, o pesquisador destaca que a relação não é automática. Apenas possuir um cachorro não significa, necessariamente, que a pessoa será mais ativa. Os benefícios parecem ocorrer principalmente entre aqueles que realmente mantêm o hábito de passear com o animal com frequência. Quando os níveis de atividade física são semelhantes entre donos e não donos de pets, as diferenças nos riscos de mortalidade tendem a desaparecer.

Estilo de vida compartilhado entre humanos e animais

Pesquisas realizadas na Suécia sugerem que a relação entre a saúde de humanos e animais pode ocorrer em duas direções. Estudos liderados pela epidemiologista Tove Fall, da Uppsala University, demonstraram que tutores e seus cães frequentemente apresentam padrões de saúde semelhantes.

Segundo os pesquisadores, isso pode ocorrer porque humanos e animais compartilham o mesmo ambiente doméstico e hábitos cotidianos. Fatores como alimentação, nível de atividade física e rotina familiar podem influenciar simultaneamente a saúde de ambos.

Em algumas análises conduzidas pela equipe da universidade, cães diagnosticados com diabetes tipo 2 apresentaram associação com maior probabilidade de seus tutores também desenvolverem a doença ao longo do tempo.

Benefícios psicológicos e redução do estresse

Além dos efeitos físicos, especialistas destacam que os animais de estimação podem exercer impacto positivo na saúde mental. A convivência com pets pode ajudar a reduzir sentimentos de solidão e isolamento social, fatores que também são reconhecidos como influentes na saúde cardiovascular.

Para muitas pessoas, os animais oferecem companhia constante, rotina diária e suporte emocional. Esses elementos podem contribuir para a redução do estresse, um fator frequentemente associado a melhores indicadores de pressão arterial e saúde do coração.

Embora os cães sejam frequentemente relacionados ao aumento da atividade física, alguns estudos também apontam possíveis benefícios entre tutores de gatos. Pesquisas indicam que a convivência com felinos pode estar associada a menor risco de morte por infarto ou acidente vascular cerebral, possivelmente devido aos efeitos calmantes da interação com os animais.

Uma relação complementar, não necessariamente causal

Apesar dos resultados positivos observados em diversas pesquisas, cientistas alertam que a relação entre ter um animal de estimação e apresentar melhor saúde cardiovascular deve ser interpretada com cautela. A maioria dos estudos identifica associações, e não necessariamente uma relação direta de causa e efeito.

Fatores como estilo de vida, condições socioeconómicas e hábitos de saúde já existentes também podem influenciar tanto a probabilidade de alguém ter um animal quanto os resultados de saúde observados.

Ainda assim, o conjunto de evidências reforça a importância de hábitos cotidianos — como atividade física regular, interação social e bem-estar emocional — para a manutenção da saúde cardiovascular. Nesse contexto, para muitas pessoas ao redor do mundo, os animais de estimação podem desempenhar um papel relevante dentro desse estilo de vida mais saudável.