11 de Feb de 2026 • 10 min de leitura
Consumo moderado de café e chá pode estar associado à redução do risco de demência, aponta estudo liderado por Harvard
Um amplo estudo conduzido nos Estados Unidos identificou uma possível associação entre o consumo moderado diário de café e chá e a redução do risco de desenvolvimento de demência. A pesquisa foi liderada por cientistas do Mass General Brigham, da Harvard T.H. Chan School of Public Health e do Broad Institute do MIT e Harvard, com resultados publicados na revista científica JAMA.
O estudo analisou se a ingestão regular de bebidas cafeinadas poderia influenciar o envelhecimento cognitivo. De acordo com os resultados, indivíduos que consumiam cerca de duas a três xícaras de café por dia ou uma a duas xícaras de chá apresentaram menor probabilidade de desenvolver demência. Além disso, o consumo moderado foi associado à desaceleração do declínio cognitivo subjetivo e à manutenção do desempenho mental geral.
Dados populacionais de longo prazo reforçam resultados
A pesquisa utilizou dados provenientes de dois importantes estudos epidemiológicos de longo prazo realizados nos Estados Unidos — o Nurses’ Health Study e o Health Professionals Follow-Up Study. Esses projetos acompanham a saúde, a alimentação e os hábitos de vida dos participantes há décadas, permitindo a análise de padrões ao longo do tempo. Os voluntários foram monitorados por até 43 anos, com avaliações periódicas sobre alimentação, função cognitiva e diagnósticos de demência.
Entre mais de 130 mil participantes avaliados, foram registrados mais de 11 mil casos de demência. Os pesquisadores observaram que homens e mulheres que consumiam café com cafeína regularmente apresentaram cerca de 18% menos risco de desenvolver a doença em comparação com aqueles que relataram consumo mínimo ou inexistente. Além disso, esses participantes relataram menor incidência de sintomas iniciais relacionados à percepção de perda de memória ou dificuldades cognitivas.
O consumo de chá apresentou resultados semelhantes, reforçando a hipótese de que bebidas cafeinadas podem exercer um papel protetor para o sistema neurológico. Em contrapartida, o café descafeinado não apresentou os mesmos benefícios, sugerindo que a cafeína pode ser um dos principais componentes responsáveis pelos efeitos observados.
Compostos bioativos podem favorecer a saúde cerebral
O café e o chá possuem diversos compostos biologicamente ativos, incluindo cafeína e polifenóis, que vêm sendo estudados por seus potenciais efeitos neuroprotetores. Pesquisas científicas indicam que essas substâncias podem ajudar a reduzir processos inflamatórios e o estresse oxidativo, mecanismos frequentemente associados a danos celulares e ao declínio neurológico.
Os pesquisadores envolvidos no estudo realizado nos Estados Unidos destacam que a prevenção da demência representa um dos principais desafios da saúde global. Os tratamentos atualmente disponíveis costumam oferecer benefícios limitados após o surgimento dos sintomas clínicos, o que reforça a importância da identificação de fatores preventivos relacionados ao estilo de vida.
Quantidade ideal e influência genética
Os resultados indicaram que os benefícios cognitivos foram mais evidentes entre indivíduos que consumiam quantidades moderadas de bebidas cafeinadas. Curiosamente, níveis mais elevados de consumo de cafeína não demonstraram efeitos neurológicos prejudiciais dentro da amostra analisada, apresentando, em alguns casos, benefícios semelhantes aos níveis considerados ideais.
Os pesquisadores também investigaram se a predisposição genética para demência poderia influenciar os resultados. A análise mostrou que a associação entre o consumo de bebidas cafeinadas e a redução do risco de demência permaneceu consistente entre indivíduos com diferentes níveis de risco genético para a doença.
Estratégia preventiva promissora, porém com limitações
Apesar dos resultados positivos, os cientistas alertam que o efeito protetor observado é considerado modesto. Eles ressaltam que a preservação da saúde cognitiva depende de múltiplos fatores, incluindo prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, controle da saúde cardiovascular e manutenção de interações sociais.
O estudo conduzido nos Estados Unidos contribui para o avanço das evidências científicas que relacionam hábitos alimentares à saúde neurológica a longo prazo. Entretanto, especialistas reforçam a necessidade de novas pesquisas para compreender melhor os mecanismos biológicos envolvidos e para avaliar como esses achados podem ser aplicados em recomendações clínicas.
Embora o consumo moderado de café e chá possa representar um componente promissor em estratégias de prevenção da demência, profissionais de saúde recomendam que a ingestão de cafeína seja sempre considerada dentro do contexto geral da saúde e da tolerância individual de cada pessoa.