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22 de Feb de 2026 • 10 min de leitura

Especialistas Alertam para Impactos Psicológicos da Supressão Extrema do Apetite Associada a Canetas Emagrecedoras

Especialistas Alertam para Impactos Psicológicos da Supressão Extrema do Apetite Associada a Canetas Emagrecedoras

Especialistas em saúde têm demonstrado preocupação com o crescimento do uso de medicamentos injetáveis para perda de peso baseados em agonistas do receptor GLP-1, destacando possíveis riscos à saúde mental associados à supressão exagerada do apetite. Embora esses tratamentos tenham se tornado cada vez mais utilizados no controlo da obesidade, profissionais relatam mudanças comportamentais e emocionais em determinados pacientes durante o tratamento.

Esses medicamentos foram desenvolvidos para ajudar na regulação dos níveis de glicose no sangue e na redução da sensação de fome, favorecendo a perda gradual de peso. Contudo, médicos observam que, em alguns casos, a diminuição do apetite torna-se tão intensa que o indivíduo passa a ingerir quantidades extremamente reduzidas de alimentos, resultando em emagrecimento acelerado e surgimento de sintomas emocionais e comportamentais.

Compreendendo o Conceito de “Agonorexia”

O termo informal “agonorexia” tem sido utilizado por especialistas para descrever a supressão exagerada da fome relacionada ao uso farmacológico desses medicamentos. Diferentemente da anorexia nervosa — transtorno psiquiátrico reconhecido e caracterizado pelo medo intenso de ganhar peso e distorção da imagem corporal — a agonorexia não é considerada um diagnóstico clínico formal e costuma surgir inicialmente como efeito colateral do tratamento medicamentoso.

Mesmo assim, especialistas alertam que, quando a ingestão alimentar se torna extremamente reduzida e o emagrecimento passa a dominar o quotidiano do paciente, os impactos podem ultrapassar alterações metabólicas e atingir diretamente o bem-estar psicológico.

De acordo com o psiquiatra Lenon Mazetto, a principal preocupação surge quando a transformação física começa a influenciar a identidade e o comportamento do indivíduo. Mudanças corporais rápidas podem alterar a perceção pessoal, provocando ansiedade, insegurança e até medo de recuperar peso. Em alguns casos, pacientes passam a temer o retorno do apetite normal.

O especialista explica ainda que a sensação de controlo sobre a fome pode funcionar como um forte reforço psicológico, sobretudo em pessoas com vulnerabilidade emocional prévia. Em determinadas situações, esse comportamento pode aumentar o risco de evolução para transtornos alimentares reconhecidos, como anorexia nervosa ou bulimia, especialmente em indivíduos com fatores predisponentes.

Entre os fatores de risco apontados por especialistas estão histórico pessoal de transtornos alimentares, traços de personalidade rígidos ou perfeccionistas, padrões de pensamento extremos e dificuldade na regulação emocional. Sinais de alerta incluem comparação corporal constante, medo desproporcional de recuperar peso, sofrimento emocional associado à alimentação e uso da medicação como forma de controlo psicológico.

Restrição Alimentar e Funcionamento Cerebral

Sob a perspetiva fisiológica, a nutricionista Tatiane Matos Lourenço explica que restrições calóricas severas podem comprometer diretamente o funcionamento cerebral e o equilíbrio emocional. Quando a ingestão energética fica muito abaixo das necessidades do organismo, o corpo pode entrar em estado de alerta metabólico.

Estudos científicos na área da psiquiatria nutricional indicam que défices calóricos prolongados podem elevar os níveis de cortisol, hormona associada ao stress. O aumento desse hormônio está relacionado a maior ansiedade, alterações no sono e instabilidade emocional.

A ingestão adequada de nutrientes também é fundamental para a produção de neurotransmissores responsáveis pela regulação do humor e das funções cognitivas. O consumo insuficiente de proteínas ou a restrição excessiva de hidratos de carbono pode reduzir a disponibilidade de aminoácidos essenciais para a síntese dessas substâncias. Além disso, défices de micronutrientes como vitamina B6, vitamina B12, ferro e magnésio estão associados à redução da energia, dificuldades de concentração e alterações do humor.

Entre os sintomas mais comuns relacionados à restrição alimentar severa estão irritabilidade, fadiga mental causada pela menor disponibilidade de glicose para o cérebro e redução do desempenho cognitivo.

Importância do Acompanhamento Multidisciplinar

Especialistas reforçam que as canetas emagrecedoras continuam a ser ferramentas importantes no tratamento da obesidade quando utilizadas sob acompanhamento médico adequado. Estudos clínicos demonstram eficácia desses medicamentos na redução do peso corporal e na melhoria de indicadores metabólicos.

No entanto, profissionais da saúde destacam que o tratamento deve incluir acompanhamento nutricional e psicológico para garantir equilíbrio físico e emocional. Manter ingestão proteica adequada, preservar massa muscular, assegurar níveis suficientes de micronutrientes e estruturar padrões alimentares regulares são medidas consideradas essenciais para a proteção da saúde global.

Especialistas alertam que, quando a redução do apetite começa a afetar estabilidade emocional, autoestima ou qualidade de vida, torna-se necessária a reavaliação da estratégia terapêutica. A recomendação é que o tratamento da obesidade seja conduzido por uma abordagem multidisciplinar, envolvendo médicos, psiquiatras e nutricionistas, garantindo segurança metabólica e psicológica ao paciente.

Com a expansão global do uso de terapias farmacológicas para controlo do peso, investigadores reforçam que o tratamento eficaz da obesidade deve considerar não apenas os benefícios metabólicos, mas também a preservação da saúde mental e da qualidade de vida dos pacientes.