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26 de Mar de 2026 • 10 min de leitura

Estudo aponta que proteína associada ao Parkinson pode acelerar progressão do Alzheimer em mulheres

Estudo aponta que proteína associada ao Parkinson pode acelerar progressão do Alzheimer em mulheres
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Cientistas nos United States identificaram evidências de que uma proteína associada ao Parkinson’s Disease pode contribuir para uma progressão mais rápida do Alzheimer’s Disease em mulheres. O estudo foi conduzido por pesquisadores da Mayo Clinic e publicado na revista científica JAMA Network Open, trazendo novos dados sobre fatores biológicos que podem influenciar o desenvolvimento das doenças neurodegenerativas de forma diferente entre homens e mulheres.

A investigação analisou como o acúmulo da proteína alfa-sinucleína — frequentemente associada à doença de Parkinson e a outros distúrbios neurológicos — pode interagir com processos patológicos já presentes no Alzheimer.

Interação entre proteínas no cérebro

A doença de Alzheimer é caracterizada principalmente pelo acúmulo anormal da proteína tau no cérebro. Esse processo compromete a comunicação entre os neurônios e contribui para o declínio progressivo das funções cognitivas.

No entanto, especialistas destacam que muitos pacientes com Alzheimer também apresentam depósitos anormais de outra proteína chamada alfa-sinucleína. Tanto a tau quanto a alfa-sinucleína existem naturalmente no cérebro humano, mas em condições neurodegenerativas podem sofrer alterações estruturais e formar agregados patológicos.

Esses depósitos anormais interferem no funcionamento das células nervosas e estão associados ao avanço de diferentes doenças neurodegenerativas.

Análise baseada em dados de neuroimagem

Para compreender melhor essa relação, os pesquisadores analisaram dados de 415 participantes envolvidos no projeto Alzheimer’s Disease Neuroimaging Initiative, um consórcio internacional dedicado ao acompanhamento de alterações cerebrais ao longo do tempo por meio de técnicas avançadas de neuroimagem e marcadores biológicos.

Os participantes passaram por exames do líquido cefalorraquidiano para identificar níveis anormais de alfa-sinucleína e realizaram avaliações repetidas de neuroimagem para medir a progressão do acúmulo de tau no cérebro. Aproximadamente 17% dos participantes apresentaram sinais de alterações relacionadas à alfa-sinucleína.

Entre aqueles que apresentavam simultaneamente alterações típicas do Alzheimer e níveis anormais dessa proteína, as mulheres demonstraram um aumento significativamente mais rápido da proteína tau em comparação com os homens que tinham o mesmo perfil biológico.

Diferenças entre homens e mulheres na demência

Os resultados podem ajudar a explicar um fenómeno já observado em estudos epidemiológicos: mulheres representam cerca de dois terços das pessoas diagnosticadas com Alzheimer no mundo.

Segundo os pesquisadores, compreender os mecanismos biológicos específicos entre os sexos pode contribuir para o desenvolvimento de ensaios clínicos mais direcionados e para estratégias terapêuticas mais personalizadas.

Especialistas envolvidos no estudo ressaltam que o Alzheimer não evolui da mesma forma em todos os pacientes. A presença simultânea de diferentes patologias cerebrais, como as associadas ao Parkinson, pode influenciar o ritmo de progressão da doença.

Novas linhas de investigação científica

Os resultados também abrem novas possibilidades para investigar por que determinadas populações parecem mais vulneráveis a certos tipos de demência. A compreensão das interações entre diferentes proteínas cerebrais pode ajudar os cientistas a identificar novos alvos terapêuticos para tratamentos futuros.

Os pesquisadores estão agora avaliando se padrões semelhantes podem ser observados em outras doenças neurológicas relacionadas à alfa-sinucleína, como a Lewy Body Dementia. O objetivo é determinar se a diferença observada é específica do Alzheimer ou se representa uma vulnerabilidade biológica mais ampla em diversas doenças neurodegenerativas.

Com o envelhecimento da população global, ampliar o conhecimento sobre os mecanismos que contribuem para a demência tornou-se uma prioridade na investigação médica. Estudos conduzidos nos United States e em outros países continuam a revelar a complexidade dos fatores biológicos, genéticos e demográficos envolvidos na progressão dessas doenças.