17 de Mar de 2026 • 10 min de leitura
Estudo japonês sugere que matcha pode ajudar a reduzir espirros causados por rinite alérgica
Pesquisadores no Japão identificaram evidências de que o matcha, uma forma de chá verde em pó amplamente consumida no país, pode ajudar a reduzir episódios de espirros associados à rinite alérgica, conhecida popularmente como febre do feno. A descoberta faz parte de um estudo conduzido por cientistas da Universidade de Hiroshima, que investigaram como substâncias presentes no matcha podem influenciar os mecanismos biológicos relacionados aos sintomas alérgicos.
O matcha é produzido a partir de folhas de chá verde cultivadas de maneira especial, que passam por um processo de secagem e moagem até se transformarem em um pó fino de coloração verde intensa. Tradicionalmente utilizado em cerimônias do chá no Japão, o produto também passou a ser incorporado em bebidas e alimentos ao redor do mundo. Pesquisas científicas anteriores já demonstraram que o chá verde contém diversos compostos biologicamente ativos, como polifenóis, antioxidantes e aminoácidos, associados a possíveis benefícios para a saúde, incluindo efeitos anti-inflamatórios e proteção cardiovascular.
A equipe de pesquisadores no Japão, liderada pelo professor Osamu Kaminuma, do Instituto de Pesquisa em Biologia da Radiação e Medicina da Universidade de Hiroshima, concentrou seus estudos na relação entre o consumo de matcha e os sintomas da rinite alérgica. Embora alguns estudos em humanos já tenham sugerido que o chá verde pode aliviar sintomas de alergias nasais, os mecanismos responsáveis por esse efeito ainda não são completamente compreendidos.
Para investigar essa questão, os cientistas realizaram experimentos com camundongos de laboratório que apresentavam sintomas semelhantes aos da rinite alérgica. Os animais receberam matcha algumas vezes por semana durante um período superior a cinco semanas. Além disso, uma dose adicional foi administrada pouco antes da exposição a um alérgeno capaz de desencadear os sintomas alérgicos.
Os resultados indicaram que os camundongos tratados com matcha apresentaram redução significativa na frequência de espirros em comparação com o esperado. Um aspecto considerado relevante pelos pesquisadores foi que esse efeito não pareceu estar relacionado a alterações nos principais marcadores do sistema imunológico envolvidos em reações alérgicas.
Os níveis de imunoglobulina E (IgE), além da atividade de mastócitos e células T, permaneceram praticamente inalterados. Esses componentes normalmente desempenham papel central nas respostas alérgicas, desencadeando a liberação de histamina e outras substâncias inflamatórias.
Em vez disso, os cientistas observaram alterações em regiões do sistema nervoso relacionadas ao reflexo do espirro. O estudo analisou a atividade de uma área específica do tronco cerebral chamada núcleo trigeminal espinal ventral, conhecida por participar do controle desse reflexo. Quando os animais eram expostos ao alérgeno, essa região apresentava maior atividade neural, mas o tratamento com matcha reduziu significativamente essa ativação.
Os pesquisadores também avaliaram a expressão do gene c-Fos, frequentemente utilizado em estudos de neurociência como indicador de atividade neuronal diante de estímulos intensos. Nos camundongos com sintomas alérgicos, a expressão desse gene aumentou consideravelmente, enquanto o consumo de matcha reduziu esses níveis para valores próximos do normal.
De acordo com os cientistas no Japão, esses resultados sugerem que o matcha pode atuar principalmente sobre mecanismos neurológicos ligados ao reflexo do espirro, em vez de modificar diretamente as respostas imunológicas responsáveis pela alergia.
A rinite alérgica é uma condição comum em diversas partes do mundo e pode provocar sintomas como espirros frequentes, congestão nasal, coriza e coceira no nariz. O tratamento costuma envolver medicamentos como anti-histamínicos e corticosteroides nasais, mas existe crescente interesse em abordagens complementares que possam ajudar no controle dos sintomas.
Os autores destacam que novos estudos serão necessários para avaliar se os efeitos observados em animais também podem ocorrer em seres humanos. Futuras pesquisas poderão investigar se o consumo de matcha pode atuar como estratégia complementar no manejo dos sintomas da rinite alérgica.
O estudo conduzido no Japão foi publicado na revista científica npj Science of Food e contribui para o avanço das pesquisas sobre o potencial de compostos naturais presentes em alimentos na modulação de processos neurológicos e imunológicos relacionados às alergias.