16 de Feb de 2026 • 10 min de leitura
Iniciativa médica colaborativa amplia tratamento cirúrgico para epilepsia resistente a medicamentos no Chile
Chile – Uma iniciativa colaborativa na área da saúde no Chile está transformando as opções de tratamento para crianças diagnosticadas com epilepsia refratária, condição em que as crises convulsivas não podem ser controladas adequadamente com medicamentos. A parceria, que envolve a Clínica Alemana, o Desafío Levantemos Chile e a Fundação Alegría, tem facilitado o acesso a procedimentos neurocirúrgicos altamente especializados, com o objetivo de melhorar os resultados clínicos e a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias.
Epilepsia refratária como desafio de saúde pública
No Chile, estima-se que cerca de 300 mil pessoas convivam com epilepsia. Dados médicos indicam que aproximadamente 30% desses casos são classificados como refratários ou resistentes aos medicamentos, ou seja, os tratamentos farmacológicos convencionais não conseguem controlar as crises epilépticas de forma eficaz. A epilepsia refratária é amplamente reconhecida na literatura neurológica como uma condição associada a importantes consequências físicas, psicológicas e de desenvolvimento, principalmente entre pacientes pediátricos.
Crianças que vivem com crises não controladas frequentemente enfrentam interrupções na vida escolar, dificuldades no desenvolvimento cognitivo e alterações comportamentais. Além disso, as famílias costumam assumir uma rotina de monitoramento constante, o que pode impactar significativamente o bem-estar emocional e a organização da vida cotidiana.
Neurocirurgia avançada como alternativa terapêutica
Para enfrentar esse desafio no Chile, cinco procedimentos cirúrgicos de alta complexidade foram realizados em pacientes pediátricos por meio do programa colaborativo. As cirurgias utilizam tecnologia de neuronavegação, um sistema avançado guiado por imagem que permite aos cirurgiões identificar com precisão e remover a área do cérebro responsável pela atividade elétrica anormal que provoca as crises epilépticas.
O tratamento neurocirúrgico da epilepsia é respaldado por evidências clínicas internacionais, que demonstram que pacientes cuidadosamente selecionados podem apresentar redução significativa na frequência das crises. De acordo com especialistas envolvidos nos procedimentos realizados no Chile, a cirurgia com intenção curativa pode alcançar taxas de sucesso de até 80%, dependendo da causa neurológica da doença.
Profissionais de saúde destacam que a intervenção cirúrgica bem-sucedida pode proporcionar maior estabilidade neurológica, permitindo que os pacientes retomem atividades escolares e sociais, além de reduzir a necessidade de cuidados constantes.
Ampliação das indicações cirúrgicas
Equipes médicas no Chile atualmente recomendam esse tipo de neurocirurgia avançada para pacientes diagnosticados tanto com epilepsia refratária quanto, em alguns casos selecionados, para formas não refratárias da doença. Essa ampliação reflete avanços nas diretrizes clínicas e no desenvolvimento tecnológico aplicado ao tratamento neurológico.
A Clínica Alemana, reconhecida no Chile pela atuação em procedimentos médicos complexos, realiza essas intervenções com equipes multidisciplinares especializadas e infraestrutura cirúrgica moderna. A expansão desses serviços busca melhorar os resultados clínicos a longo prazo e reduzir o impacto social associado às doenças neurológicas crônicas.
Limitações na cobertura do sistema de saúde
Apesar de a epilepsia estar incluída no sistema de Garantias Explícitas em Saúde (GES) do Chile, especialistas apontam que os procedimentos cirúrgicos avançados ainda não estão totalmente contemplados pela cobertura padrão. Essa limitação pode restringir o acesso a tratamentos potencialmente transformadores para pacientes elegíveis, evidenciando desafios existentes nos modelos de financiamento da saúde no país.
Organizações sociais impulsionando inovação médica
O sucesso do programa no Chile está diretamente ligado à cooperação entre instituições médicas e organizações sociais. O Desafío Levantemos Chile, organização sem fins lucrativos voltada para o enfrentamento de emergências sociais, identificou a epilepsia refratária como um problema de saúde pública frequentemente negligenciado e que exige atenção urgente.
Já a Fundação Alegría apoia projetos destinados a melhorar o bem-estar de crianças afetadas por doenças graves. Por meio do financiamento conjunto e da coordenação do programa, essas organizações têm permitido que famílias no Chile tenham acesso a intervenções cirúrgicas que anteriormente eram inacessíveis ou financeiramente inviáveis.
Melhora na qualidade de vida por meio da colaboração multidisciplinar
Profissionais de saúde e coordenadores do programa no Chile relatam que as famílias dos pacientes tratados têm apresentado melhorias significativas na segurança emocional e na rotina diária após as cirurgias bem-sucedidas. A redução ou eliminação das crises permite que as crianças participem de forma mais regular das atividades educacionais e sociais, fator considerado essencial para o desenvolvimento a longo prazo.
Um modelo para o futuro do cuidado neurológico
Especialistas médicos no Chile ressaltam que parcerias entre prestadores de serviços de saúde e organizações sociais podem representar um modelo eficaz para ampliar o acesso a tratamentos médicos complexos. À medida que as pesquisas neurológicas e as tecnologias cirúrgicas continuam evoluindo, estratégias colaborativas tendem a se tornar fundamentais para o enfrentamento de doenças que exigem recursos altamente especializados.
A iniciativa desenvolvida no Chile demonstra como a integração entre medicina clínica e apoio social pode criar novas oportunidades terapêuticas, oferecendo esperança renovada para famílias afetadas pela epilepsia resistente a medicamentos e contribuindo para avanços no cuidado neurológico pediátrico.