06 de Mar de 2026 • 10 min de leitura
Inteligência Artificial Aprimora Avaliação do HER2 no Diagnóstico do Câncer de Mama na Indonésia
A inteligência artificial vem sendo incorporada à rotina diagnóstica do câncer de mama na Indonésia, com resultados que apontam ganhos relevantes na avaliação do receptor 2 do fator de crescimento epidérmico humano (HER2). Durante evento científico realizado em Jacarta, especialistas destacaram que o uso de sistemas de IA como ferramenta de apoio à patologia pode aumentar a precisão na classificação tumoral e auxiliar na definição de terapias-alvo.
O câncer de mama é a neoplasia mais incidente entre mulheres no mundo e representa importante desafio de saúde pública na Indonésia. Dados da GLOBOCAN 2020 indicam cerca de 65 mil novos casos e mais de 22 mil óbitos relacionados à doença no país naquele ano. Parte desses tumores apresenta superexpressão do HER2, proteína associada a comportamento mais agressivo e crescimento tumoral acelerado.
IA como ferramenta complementar na patologia
Segundo especialistas que participaram do encontro em Jacarta, a IA pode apoiar a análise de lâminas histopatológicas, especialmente na determinação do status do HER2. Essa avaliação é feita a partir do exame do tecido tumoral em laboratório e define se a paciente poderá se beneficiar de terapias direcionadas, como medicamentos anti-HER2.
Dados apresentados no ASCO Annual Meeting 2025 indicaram que a utilização da IA como suporte à avaliação tradicional aumentou em aproximadamente 40% a detecção de casos classificados como HER2 “ultra-low”, quando comparada à análise convencional. A acurácia global teria alcançado cerca de 92% com o uso combinado de tecnologia e avaliação médica.
Além do aumento da sensibilidade diagnóstica, observou-se melhora na concordância entre profissionais. A consistência entre patologistas, que girava em torno de dois terços dos casos, passou para mais de 80% em categorias consideradas desafiadoras, como HER2-low e HER2-ultra-low, níveis muitas vezes difíceis de identificar apenas por avaliação manual.
Estudos publicados em periódicos científicos como The Lancet Oncology e Nature Medicine já vêm demonstrando que a patologia digital e os algoritmos de aprendizado de máquina podem reduzir variações entre observadores e aumentar a reprodutibilidade diagnóstica.
Impacto clínico na escolha do tratamento
A classificação correta do HER2 tem implicação direta na conduta terapêutica. Pacientes com tumores HER2 positivos — ou com determinadas expressões baixas, conforme critérios atuais — podem ser elegíveis para terapias-alvo específicas, que atuam bloqueando vias moleculares responsáveis pela proliferação tumoral.
Especialistas em oncologia clínica na Indonésia ressaltaram que a IA contribui para agilizar o processo de análise laboratorial e apoiar decisões terapêuticas em tempo oportuno. No entanto, reforçam que a tecnologia não substitui o médico. A decisão final permanece sob responsabilidade da equipe assistencial, que considera o quadro clínico completo da paciente.
Inovação com supervisão médica
A experiência relatada na Indonésia acompanha uma tendência global de incorporação da inteligência artificial na oncologia. Embora os dados iniciais indiquem benefícios em termos de precisão e eficiência, especialistas enfatizam que a tecnologia deve atuar como ferramenta complementar.
Diante da elevada carga do câncer de mama no país, a integração da IA à prática anatomopatológica pode contribuir para diagnósticos mais refinados e tratamentos mais direcionados. Ainda assim, a validação contínua por meio de pesquisas científicas e estudos clínicos permanece essencial para assegurar segurança, eficácia e aplicação responsável no sistema de saúde.
A adoção equilibrada entre inovação tecnológica e supervisão médica rigorosa é apontada como caminho estratégico para melhorar os desfechos clínicos das pacientes na Indonésia e fortalecer o enfrentamento do câncer de mama.