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21 de Feb de 2026 • 10 min de leitura

Jejum Intermitente Apresenta Impacto Limitado na Perda de Peso, Indica Revisão Científica Internacional

Jejum Intermitente Apresenta Impacto Limitado na Perda de Peso, Indica Revisão Científica Internacional

Uma ampla revisão científica liderada por investigadores na Argentina sugere que o jejum intermitente pode apresentar impacto reduzido na perda de peso entre adultos com sobrepeso ou obesidade. O estudo foi conduzido por especialistas do Hospital Universitario Italiano de Buenos Aires, que analisaram ensaios clínicos já existentes para avaliar se essa estratégia alimentar oferece vantagens mensuráveis quando comparada às orientações nutricionais convencionais.

O jejum intermitente ganhou grande popularidade mundial nos últimos anos como alternativa para controlo do peso corporal. A prática envolve diferentes modelos, incluindo janelas específicas para alimentação, períodos de jejum em determinados dias da semana ou alternância entre dias de ingestão alimentar normal e dias com restrição calórica significativa. Entre os métodos mais conhecidos está a chamada dieta 5:2, que propõe redução acentuada da ingestão calórica em dois dias não consecutivos da semana.

Evidências Baseadas em Estudos Clínicos Internacionais

A revisão analisou dados provenientes de 22 estudos científicos publicados anteriormente, envolvendo cerca de 2.000 participantes. Os investigadores compararam programas de jejum intermitente de curto prazo, com duração de até 12 meses, com recomendações dietéticas tradicionais centradas na redução calórica e na alimentação equilibrada, além de cenários sem orientação nutricional estruturada.

A principal conclusão indicou que o jejum intermitente apresenta pouca ou nenhuma diferença significativa na perda de peso e na qualidade de vida quando comparado às estratégias nutricionais convencionais. Os resultados foram publicados na Cochrane Database of Systematic Reviews, reconhecida internacionalmente pela divulgação de pesquisas médicas baseadas em evidências.

Embora os autores tenham reconhecido que o jejum intermitente possa contribuir para melhorias gerais na saúde por meio de possíveis adaptações fisiológicas, destacaram que as evidências científicas atuais ainda são inconclusivas. Dessa forma, novos estudos são considerados essenciais para confirmar eventuais benefícios metabólicos ou sistémicos associados à prática.

Preocupações Sobre a Percepção Pública

O investigador principal Luis Garegnani demonstrou preocupação com a rápida expansão de conteúdos online que promovem o jejum intermitente como método altamente eficaz para emagrecimento. Segundo ele, apesar de a prática poder ser uma opção válida para algumas pessoas, as evidências científicas disponíveis ainda não justificam o nível de popularidade observado nas redes digitais.

Corroborando essa análise, Baptiste Leurent, especialista em estatística médica da University College London, no Reino Unido, afirmou que os resultados conjuntos dos estudos avaliados demonstram benefícios limitados. Para o pesquisador, o fenómeno reflete um desfasamento entre a perceção pública e a validação científica.

Na mesma linha, Keith Frayn, professor emérito de metabolismo humano da University of Oxford, destacou que o jejum intermitente é frequentemente divulgado como capaz de gerar efeitos metabólicos exclusivos. No entanto, segundo ele, as evidências disponíveis indicam que tais alegações podem não ter relevância clínica significativa, reforçando que o controlo consistente da ingestão calórica permanece como principal abordagem comprovada para a redução do peso corporal.

Diferenças Individuais e Orientação Clínica Personalizada

Os investigadores envolvidos na revisão ressaltaram que a resposta às intervenções alimentares pode variar consideravelmente entre indivíduos. A autora sénior do estudo, Eva Madrid, explicou que os profissionais de saúde devem adoptar estratégias personalizadas ao orientar pacientes com excesso de peso.

Os especialistas também apontaram limitações metodológicas em vários dos ensaios analisados. Muitos estudos incluíram grupos reduzidos de participantes e não aplicaram, de forma consistente, os métodos clínicos mais rigorosos. Esses fatores reduzem a força estatística dos resultados e dificultam a generalização dos dados para populações mais amplas.

Perspetivas para Pesquisas Futuras

A revisão científica destacou a necessidade de novos estudos para investigar o impacto do jejum intermitente em doenças crónicas, incluindo diabetes tipo 2 e outras condições metabólicas. Os investigadores também sugerem que futuras análises devem explorar diferenças de resposta entre homens e mulheres, pessoas com diferentes índices de massa corporal e populações de diversas regiões do mundo.

Os ensaios clínicos avaliados na revisão foram conduzidos em regiões da Europa, América do Norte, China, Austrália e América do Sul, demonstrando o interesse global pelo tema. Embora algumas pesquisas observacionais indiquem que o jejum intermitente possa contribuir para redução do colesterol, controlo da glicemia e melhoria da saúde intestinal, especialistas alertam que esses resultados ainda necessitam de validação científica mais robusta e de longo prazo.

À medida que tendências alimentares continuam a ganhar visibilidade nas plataformas digitais, profissionais de saúde reforçam que mudanças sustentáveis no estilo de vida — incluindo alimentação equilibrada e prática regular de atividade física, continuam a representar as estratégias mais seguras e eficazes para controlo do peso e promoção da saúde geral.