10 de Feb de 2026 • 10 min de leitura
Obesidade e Saúde da Mulher: Um Desafio Médico ao Longo da Vida que Exige Atenção Precoce e Multidisciplinar na Espanha
Especialistas em saúde na Espanha têm destacado o impacto abrangente da obesidade na saúde da mulher, classificando a condição como uma doença crônica capaz de comprometer diversos órgãos e sistemas do corpo ao longo das diferentes fases da vida. O alerta foi reforçado durante o encontro científico “Obesidade e Mulher: Novas Perspectivas”, promovido pelo HM Hospitales, onde especialistas ressaltaram que a obesidade deve ser compreendida como um problema de saúde complexo e não apenas como uma questão estética ou relacionada ao peso corporal.
De acordo com Manuel Marcos, coordenador dos Serviços de Urgência Ginecológica do HM Hospitales, na Espanha, a obesidade pode gerar consequências de longo prazo que atravessam a adolescência, o período reprodutivo, a menopausa e o envelhecimento. A condição está associada ao aumento do risco de desenvolvimento de doenças metabólicas, cardiovasculares e ginecológicas, além de impactos psicológicos significativos.
Impactos ao Longo das Fases Biológicas da Mulher
Observações médicas realizadas na Espanha indicam que as repercussões clínicas da obesidade variam conforme a fase biológica da mulher. Durante a infância e a adolescência, o excesso de peso pode estar relacionado ao início precoce da puberdade, alterações hormonais e ao desenvolvimento de condições como a síndrome dos ovários policísticos (SOP). Pesquisas publicadas em periódicos científicos como o The Lancet Diabetes & Endocrinology confirmam a relação entre obesidade e desregulação hormonal, especialmente nas fases iniciais do desenvolvimento reprodutivo.
Entre mulheres em idade fértil, especialistas na Espanha relatam que a obesidade está associada a dificuldades para engravidar e a maiores riscos durante a gestação. Entre as complicações mais frequentes estão o diabetes gestacional, distúrbios hipertensivos, como a pré-eclâmpsia, parto prematuro e aumento na necessidade de cesarianas. Evidências científicas da Organização Mundial da Saúde também apontam a obesidade materna como um fator relevante para complicações na gravidez e para a saúde do recém-nascido.
Durante a menopausa, profissionais de saúde na Espanha observam que a obesidade pode intensificar sintomas hormonais, aumentar a disfunção do assoalho pélvico e elevar a suscetibilidade a infecções urinárias. Estudos epidemiológicos também indicam maior probabilidade de desenvolvimento de câncer de útero e de mama em mulheres com obesidade persistente, reforçando a necessidade de acompanhamento médico contínuo.
Dimensões Emocionais e Sociais
Especialistas na Espanha também chamam atenção para o impacto psicológico da obesidade na saúde feminina. Pressões sociais relacionadas aos padrões estéticos podem intensificar o sofrimento emocional, contribuindo para quadros de ansiedade, depressão e redução da qualidade de vida. Paula Barriga, diretora-geral da Novo Nordisk na Espanha, destacou que historicamente as mulheres foram subdiagnosticadas e subtratadas para obesidade, mesmo enfrentando maior carga emocional relacionada à imagem corporal.
Literatura científica, incluindo estudos publicados pela Associação Americana de Psicologia, demonstra que o estigma relacionado ao peso corporal pode afetar negativamente a saúde mental e reduzir a busca por atendimento médico.
Importância do Diagnóstico Precoce e do Tratamento Integrado
Profissionais de saúde na Espanha enfatizam que a identificação precoce da obesidade é essencial para melhorar os resultados clínicos a longo prazo. Especialistas destacam que consultas ginecológicas frequentemente representam um dos poucos momentos de acompanhamento médico regular para muitas mulheres, tornando-se oportunidades estratégicas para identificar fatores de risco relacionados ao peso.
Especialistas defendem um modelo de tratamento multidisciplinar envolvendo médicos da atenção primária, endocrinologistas, ginecologistas, nutricionistas, profissionais de educação física e psicólogos. Estudos publicados na revista Obesity Reviews indicam que abordagens integradas apresentam resultados mais sustentáveis do que intervenções isoladas.
Tratamentos terapêuticos, incluindo medicamentos específicos e cirurgia bariátrica em casos selecionados, podem oferecer benefícios clínicos quando devidamente indicados e acompanhados por profissionais de saúde. Entretanto, especialistas na Espanha ressaltam que mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas e suporte comportamental, permanecem fundamentais para o sucesso no controle da obesidade.
Responsabilidade Médica e Social a Longo Prazo
Especialistas espanhóis reforçam que a obesidade deve ser tratada como uma condição crônica e recorrente, que exige acompanhamento médico contínuo. Também destacam a importância de uma comunicação livre de estigmas e da ampliação da educação em saúde para favorecer o diagnóstico precoce e o cuidado individualizado.
Conforme ressaltado por especialistas na Espanha, ampliar a conscientização, fortalecer estratégias preventivas e garantir suporte médico contínuo são medidas essenciais para reduzir os impactos da obesidade na saúde feminina e promover melhor qualidade de vida em todas as fases da vida.