16 de Mar de 2026 • 10 min de leitura
Pesquisa australiana indica que compostos de algas marinhas podem ajudar a prevenir infecção por norovírus
Pesquisadores na Austrália identificaram compostos presentes em algas marinhas que podem ajudar a prevenir a infecção pelo norovírus, um dos principais responsáveis por surtos de gastroenterite aguda em todo o mundo. A descoberta faz parte de um estudo conduzido por cientistas da Griffith University em colaboração com a empresa de biotecnologia australiana Marinova.
O norovírus é reconhecido internacionalmente como um agente altamente contagioso e está associado a milhões de casos de infecção gastrointestinal todos os anos. Estimativas globais indicam que o vírus provoca mais de 685 milhões de infecções anuais, afetando pessoas de diferentes faixas etárias e se espalhando rapidamente em ambientes coletivos como escolas, hospitais, navios de cruzeiro e instituições de cuidados.
Apesar do impacto significativo na saúde pública, ainda não existem vacinas aprovadas ou tratamentos antivirais específicos para combater o norovírus em humanos. Por essa razão, pesquisadores têm buscado novas estratégias capazes de impedir que o vírus se fixe nas células do sistema digestivo, etapa considerada fundamental para o início da infecção.
O estudo realizado na Austrália investigou substâncias naturais encontradas em algas marinhas marrons e verdes, especialmente compostos conhecidos como fucoidana e ulvana. Esses compostos pertencem a um grupo de polissacarídeos marinhos que vêm sendo estudados por suas possíveis propriedades biológicas e terapêuticas.
Durante os experimentos laboratoriais, os cientistas avaliaram se essas substâncias seriam capazes de interferir no processo de ligação do norovírus às células humanas. O vírus normalmente inicia a infecção ao se ligar a moléculas presentes no intestino chamadas antígenos de grupo sanguíneo histo (HBGAs), que funcionam como pontos de ancoragem para as partículas virais.
Os resultados indicaram que a fucoidana, extraída de algas marinhas marrons, apresentou a atividade mais consistente ao impedir essa ligação. De acordo com os pesquisadores, o composto parece ocupar a região onde o vírus normalmente se conecta, formando uma espécie de barreira física que dificulta a adesão do vírus às células humanas.
Os cientistas também destacaram que a fucoidana possui histórico de uso alimentar e já demonstrou boa tolerabilidade em estudos com seres humanos, sendo utilizada inclusive em alguns suplementos nutricionais. Por esse motivo, o composto é considerado um candidato promissor para futuras estratégias de prevenção contra infecções gastrointestinais causadas por vírus.
No entanto, os pesquisadores ressaltam que novos estudos ainda são necessários para entender como essas substâncias poderiam ser formuladas de forma eficaz para atuar no trato gastrointestinal humano, potencializando seu efeito protetor.
A infecção por norovírus é uma das principais causas de gastroenterite aguda, uma inflamação do estômago e do intestino que pode provocar sintomas como náuseas, vômitos, diarreia aquosa, dor abdominal, febre, dor de cabeça e dores musculares. Embora a maioria dos casos seja autolimitada, a doença pode se espalhar rapidamente e representar um importante desafio para sistemas de saúde em diversos países.
Os resultados da pesquisa conduzida na Austrália foram publicados na revista científica Microbiology Spectrum e reforçam o interesse crescente da comunidade científica em investigar o potencial de compostos naturais de origem marinha no desenvolvimento de novas estratégias de prevenção contra infecções virais.