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11 de Feb de 2026 • 10 min de leitura

Preocupação cresce com casos de pancreatite associados ao uso de canetas emagrecedoras, alertam autoridades de saúde

Preocupação cresce com casos de pancreatite associados ao uso de canetas emagrecedoras, alertam autoridades de saúde

Autoridades sanitárias do Reino Unido e do Brasil emitiram alertas sobre casos de pancreatite aguda possivelmente associados ao uso de medicamentos injetáveis utilizados para controle do peso. O tema ganhou maior atenção após a Medicines and Healthcare products Regulatory Agency (MHRA), órgão regulador do Reino Unido, divulgar um alerta ressaltando o possível risco de inflamação pancreática relacionado a esse tipo de tratamento.

No Brasil, dados de monitoramento divulgados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também apontam sinais de preocupação. Registros de farmacovigilância indicam 145 casos suspeitos de pancreatite e seis mortes suspeitas entre 2020 e 2025 em pacientes que relataram o uso de medicamentos injetáveis indicados para tratamento de obesidade ou controle glicêmico.

Medicamentos sob monitoramento

Dados disponíveis no sistema VigiMed, plataforma brasileira de vigilância de eventos adversos, indicam que os relatos suspeitos envolvem medicamentos pertencentes à classe dos agonistas do receptor GLP-1 e terapias relacionadas. Entre os fármacos citados estão Ozempic, Mounjaro, Wegovy, Trulicity, Saxenda, Victoza, Rybelsus e Xultophy, frequentemente prescritos para auxiliar no tratamento do diabetes tipo 2 e, em alguns casos, na perda de peso.

Especialistas ressaltam que os sistemas de farmacovigilância são projetados para identificar possíveis sinais de risco, sem necessariamente comprovar uma relação direta de causa e efeito. Ainda assim, o número de registros levou autoridades sanitárias do Reino Unido e do Brasil a reforçarem a orientação sobre o uso seguro desses medicamentos.

Sintomas e manifestações clínicas da pancreatite aguda

De acordo com referências médicas como o Manual MSD, a pancreatite aguda costuma apresentar como principal sintoma dor intensa e persistente na parte superior do abdômen. Em cerca de metade dos casos, essa dor pode irradiar para as costas e durar vários dias.

Outros sintomas frequentemente associados incluem náuseas, vômitos, sensibilidade abdominal, febre, aumento da frequência cardíaca e dificuldade respiratória. Embora os medicamentos injetáveis estejam sendo investigados como possível fator relacionado à doença, a pancreatite aguda possui causas já estabelecidas, como cálculos biliares e consumo excessivo de álcool, apresentando manifestações clínicas semelhantes independentemente da origem.

Risco já descrito e atenção ao uso indiscriminado

Especialistas brasileiros destacam que o risco de pancreatite já consta nas bulas desses medicamentos desde o lançamento da liraglutida, uma das primeiras substâncias dessa classe terapêutica, introduzida há cerca de duas décadas. Com o aumento da popularidade desses tratamentos, médicos reforçam a necessidade de vigilância constante quanto aos possíveis efeitos adversos.

Profissionais ligados ao estudo da obesidade e síndrome metabólica no Brasil demonstram preocupação especial com o uso indiscriminado dessas medicações, principalmente quando adquiridas fora dos canais regulamentados. Há relatos de pacientes que recorrem a produtos importados ou manipulados sem garantia de procedência ou controle sanitário adequado.

Segundo especialistas, os dados oficiais de eventos adversos costumam envolver medicamentos adquiridos em farmácias regulamentadas, onde existe monitoramento sistemático de segurança. Já os riscos relacionados a produtos de origem desconhecida permanecem incertos devido à ausência de rastreabilidade e fiscalização.

Acompanhamento médico é fundamental

Especialistas reforçam que o uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento deve ocorrer exclusivamente com acompanhamento profissional. Avaliações clínicas adequadas, ajuste de doses e monitoramento de possíveis efeitos colaterais são considerados essenciais para reduzir riscos à saúde.

Os alertas emitidos por autoridades do Reino Unido e do Brasil reforçam a necessidade de equilíbrio entre os benefícios terapêuticos e os potenciais riscos associados a tratamentos modernos para obesidade. Embora esses medicamentos possam trazer resultados significativos no controle metabólico e na redução de peso, profissionais de saúde recomendam atenção aos sinais sugestivos de inflamação pancreática e orientação médica imediata caso sintomas surjam.

O monitoramento contínuo e novas pesquisas científicas deverão contribuir para ampliar o conhecimento sobre a segurança dessas terapias, auxiliando médicos e pacientes na tomada de decisões clínicas mais seguras.