15 de Mar de 2026 • 10 min de leitura
Relatório global alerta que uma em cada cinco crianças no mundo vive com sobrepeso ou obesidade
Um novo relatório internacional divulgado por ocasião do Dia Mundial da Obesidade revela que o excesso de peso entre crianças e adolescentes atingiu níveis preocupantes em todo o mundo. De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade 2026, cerca de 20,7% das crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos vivem atualmente com sobrepeso ou obesidade, o que representa aproximadamente 419 milhões de jovens — o equivalente a um em cada cinco nessa faixa etária.
O levantamento, produzido pela Federação Mundial de Obesidade, aponta ainda que esse número pode crescer significativamente nas próximas décadas. As projeções indicam que, até 2040, o total global pode chegar a 507 milhões de crianças e adolescentes vivendo com excesso de peso, caso medidas eficazes de prevenção não sejam adotadas em larga escala.
Especialistas em saúde alertam que o sobrepeso durante a infância está associado a diversas complicações médicas que tradicionalmente eram observadas apenas em adultos. Entre elas estão hipertensão arterial e doenças cardiovasculares, condições que vêm sendo diagnosticadas cada vez mais cedo. Estimativas da federação indicam que, até 2040, cerca de 57,6 milhões de crianças no mundo poderão apresentar sinais precoces de doença cardiovascular, enquanto 43,2 milhões poderão desenvolver hipertensão relacionada ao excesso de peso.
Estudos científicos publicados em revistas médicas internacionais, como The Lancet e British Medical Journal, indicam que o aumento da obesidade infantil está relacionado a diversos fatores, incluindo mudanças nos padrões alimentares, maior consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas, além da redução da atividade física entre crianças e adolescentes.
O relatório também destaca que muitos países ainda não implementaram políticas públicas suficientes para enfrentar o problema. Entre as estratégias recomendadas estão a taxação de bebidas açucaradas, restrições à publicidade voltada ao público infantil — especialmente em plataformas digitais —, incentivo à prática de atividades físicas, proteção ao aleitamento materno e melhorias nos padrões de alimentação escolar. A integração de ações de prevenção e tratamento nos sistemas de atenção primária à saúde também é apontada como fundamental.
No Brasil, os dados refletem uma realidade semelhante à observada globalmente. Estima-se que 16,5 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos estejam vivendo com sobrepeso ou obesidade no país. Entre crianças de 5 a 9 anos, cerca de 6,6 milhões apresentam excesso de peso, enquanto entre jovens de 10 a 19 anos o número chega a aproximadamente 9,9 milhões.
As consequências para a saúde já são observadas entre a população infantil brasileira. Em 2025, cerca de 1,4 milhão de crianças e adolescentes no Brasil foram diagnosticados com hipertensão associada ao Índice de Massa Corporal (IMC). Além disso, aproximadamente 572 mil apresentaram hiperglicemia, 1,8 milhão foram diagnosticados com triglicerídeos elevados, e cerca de 4 milhões desenvolveram doença hepática esteatótica metabólica, condição caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado.
As projeções indicam que o cenário pode se agravar nas próximas décadas. Até 2040, mais de 1,6 milhão de crianças e adolescentes no Brasil podem desenvolver hipertensão associada ao IMC, além do aumento esperado em condições metabólicas como hiperglicemia, alterações nos níveis de triglicerídeos e doenças hepáticas relacionadas ao excesso de gordura corporal.
Especialistas destacam que o enfrentamento da obesidade infantil exige uma abordagem ampla que envolva governos, profissionais de saúde, escolas e famílias. Atualmente, muitos pesquisadores defendem que a obesidade deve ser tratada não apenas como um problema individual, mas também como uma questão de saúde pública influenciada por fatores sociais, econômicos e ambientais.
Diante do crescimento acelerado desses indicadores, autoridades de saúde alertam que investir em prevenção desde a infância será essencial para reduzir o impacto futuro de doenças crônicas e melhorar a qualidade de vida das próximas gerações em todo o mundo.