19 de May de 2026 • 10 min de leitura
Uso inadequado de tratamentos para asma pode comprometer função pulmonar, aponta pesquisa no Brasil
Uma investigação conduzida no Brasil com pacientes atendidos na atenção primária à saúde acendeu um alerta sobre o manejo da asma, condição crônica que afeta milhões de pessoas no país. Os dados indicam que uma parcela significativa dos pacientes apresenta comprometimento da função pulmonar associado ao uso de estratégias terapêuticas consideradas ultrapassadas pelas diretrizes internacionais.
A asma é caracterizada por inflamação crônica das vias aéreas, podendo provocar sintomas como falta de ar, chiado e tosse. Segundo a literatura científica, incluindo recomendações da Global Initiative for Asthma (GINA), o controle adequado da doença depende não apenas do alívio imediato dos sintomas, mas também da redução da inflamação ao longo do tempo.
Tratamento inadequado e riscos à saúde
No Brasil, o estudo observou que muitos pacientes ainda utilizam broncodilatadores de curta duração como principal forma de tratamento. Embora esses medicamentos proporcionem alívio rápido dos sintomas, especialistas destacam que seu uso isolado não atua na causa inflamatória da doença.
Pesquisas publicadas em periódicos como o Journal of Allergy and Clinical Immunology apontam que a ausência de terapias anti-inflamatórias pode levar à progressão da doença, aumentando o risco de exacerbações graves e danos permanentes às vias respiratórias. Esse cenário ajuda a explicar por que parte dos pacientes não apresenta recuperação adequada da função pulmonar, mesmo após o uso de medicação de resgate.
Impactos na qualidade de vida
A asma mal controlada pode afetar significativamente o cotidiano dos pacientes. No Brasil, dados epidemiológicos indicam que a doença está associada a faltas frequentes ao trabalho e à escola, além de maior procura por serviços de urgência.
De acordo com estudos do Jornal Brasileiro de Pneumologia, crises recorrentes e hospitalizações são mais comuns quando não há adesão a tratamentos adequados. Esse impacto vai além do aspecto clínico, refletindo também em perdas sociais e econômicas relevantes.
Diretrizes atualizadas e novas abordagens
As recomendações mais recentes para o tratamento da asma incluem o uso combinado de broncodilatadores de longa ação com corticosteroides inalados, abordagem que atua tanto no alívio dos sintomas quanto no controle da inflamação. Essa estratégia é considerada mais eficaz para prevenir crises e preservar a função pulmonar ao longo do tempo.
Além disso, novas ferramentas diagnósticas e de monitoramento vêm sendo estudadas para ampliar o acesso ao acompanhamento da doença, especialmente em sistemas públicos de saúde como o do Brasil. Dispositivos de medição do fluxo respiratório, por exemplo, têm sido apontados como alternativas viáveis para avaliação contínua dos pacientes.
Desafios e perspectivas no sistema de saúde brasileiro
Especialistas destacam que um dos principais desafios no Brasil é a atualização das práticas clínicas na atenção primária, aliada à educação continuada dos profissionais de saúde e à conscientização da população sobre a importância do tratamento correto.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que doenças respiratórias crônicas, como a asma, exigem estratégias integradas que envolvam diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento regular. Nesse contexto, a adoção de protocolos atualizados pode contribuir para reduzir complicações, internações e mortalidade associadas à doença.
Diante desse cenário, o avanço no manejo da asma no Brasil depende da combinação entre acesso a terapias modernas, qualificação dos serviços de saúde e maior adesão dos pacientes às orientações médicas, fatores essenciais para garantir melhor qualidade de vida e controle efetivo da doença.